TJSP promove 5º Encontro de Assistentes Sociais
Evento lotou auditório no Fórum Criminal da Barra Funda.
A Vara do Foro Central da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de São Paulo promoveu nesta sexta-feira (2) o 5º Encontro de Assistentes Sociais, em comemoração ao dia do Assistente Social. Para lembrar a data foi realizada a palestra “O Desgaste Mental das Assistentes Sociais nas Relações de Trabalho”. O evento aconteceu no plenário 10 do Complexo Judiciário Ministro Mário Guimarães – Fórum Criminal da Barra Funda.
A juíza titular da Vara Central da Violência Doméstica, Elaine Cristina Monteiro Cavalcante, apresentou a palestrante na abertura do evento. Damares Vicente é assistente social especialista em Saúde Pública; mestra, doutora e pós-doutora em Serviço Social pela PUC-SP. Atualmente, faz parte de dois coletivos: o Núcleo de Pesquisas sobre Trabalho e Profissão da PUC-SP (Netrab) e o Grupo de Estudos de Saúde, Trabalho e Direitos Humanos, em que são desenvolvidos estudos sobre condições de trabalho e suas relações com a saúde das pessoas.
A palestrante explicou que a visão higienista de saúde apregoa que o adoecimento está atrelado a determinadas condutas ou comportamentos do indivíduo, sendo este, portanto, o único responsável por seu sofrimento. Para Damares, no entanto, o estado de saúde do trabalhador tem a ver com as reformas estruturais no mundo capitalista. “É preciso parar de culpar o trabalhador e passar a analisar os processos de trabalho e suas implicações na saúde das pessoas”, disse, citando o Movimento de Medicina Social Latinoamericana como contraponto fundamental ao pensamento higienista vigente. Damares também falou sobre os indícios de desgaste mental de profissionais: alterações no sono, apetite e humor; síndrome de burnout e suicídio. “As pessoas estão ficando cada vez mais isoladas, o que compromete inclusive as relações familiares”, disse. Damares sugere que o assistente social faça parte de algum coletivo. “É isso que dá a possiblidade de criar resistências”, concluiu.
A assistente social judiciário Maria de Fátima de Jesus Agostinho Ferreira, idealizadora do evento, agradeceu à palestrante e completou que há necessidade de romper com o processo de alienação coletiva. “O conhecimento do próximo passa necessariamente pelo conhecimento de si e do coletivo”, disse Maria de Fátima, afirmando que cada assistente social deve se lembrar de que “não está sozinho nesta situação”.
Ao final, a juíza Elaine Cavalcante abriu espaço para debates. O evento contou com um público de aproximadamente 300 pessoas e mais de mil inscritos acompanharam a palestra na modalidade a distância.
Comunicação Social – DM (texto) / AC (fotos)
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